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Editorial | As contas do DF no limite: silêncio, riscos e a fatura que chegará em 2026

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Por Equipe Portal BSB em Dia

A publicação do Relatório de Gestão Fiscal (RGF) do terceiro quadrimestre de 2025, em edição extra do Diário Oficial do Distrito Federal, não tranquiliza — alerta. O documento, divulgado sob o argumento de cumprimento formal da Lei de Responsabilidade Fiscal, expõe uma estratégia recorrente do atual governo: cumprir a lei no papel, enquanto evita o debate público sobre o conteúdo real das contas.

O problema não está no fato de o relatório existir, mas no que ele não mostra. A ausência de dados claros sobre despesa com pessoal, endividamento, margem fiscal e impactos de estatais impede qualquer avaliação honesta da saúde financeira do DF. Transparência mínima não é transparência — é blindagem.

Às vésperas de 2026, o Governo do Distrito Federal entra no ano mais sensível do ciclo político com um orçamento estimado em R$ 74,4 bilhões, mas com boa parte desse valor já comprometida por despesas obrigatórias, previdenciárias e financeiras. O espaço para investimentos, políticas públicas estruturantes ou resposta a crises é cada vez menor.

Nesse cenário, dois passivos se impõem como ameaças reais às contas públicas: BRB e IPREV.

O Banco de Brasília deixou de ser apenas um instrumento financeiro do governo e passou a representar um risco sistêmico. Operações, garantias e exposições assumidas nos últimos anos colocam o Tesouro do DF na linha de frente de qualquer turbulência. Se houver necessidade de aporte, reestruturação ou cobertura de prejuízos, a conta será paga pela população — não pelo discurso oficial.

Já o IPREV segue como a bomba previdenciária que nenhum governo quis desarmar. O déficit atuarial cresce, os aportes do Tesouro aumentam e o envelhecimento do funcionalismo acelera. O resultado é um sistema que consome parcelas cada vez maiores do orçamento, empurrando o ajuste fiscal para o futuro e tornando-o mais doloroso.

A edição extra do Diário Oficial, publicada no fim de janeiro, não é casual. Ela funciona como escudo jurídico para decisões que virão. O governo se antecipa para justificar contingenciamentos, alienação de patrimônio público, novas operações financeiras ou medidas impopulares que, cedo ou tarde, serão apresentadas como “inevitáveis”.

O discurso da normalidade fiscal já não se sustenta. O DF pode até estar formalmente dentro da lei, mas opera no limite da solvência política e fiscal. O silêncio sobre os números não elimina o problema — apenas adia o confronto com a realidade.

A pergunta que se impõe não é se haverá impacto em 2026, mas quem vai pagar a conta:
a população, os servidores, o patrimônio público ou todos juntos.

O Portal BSB em Dia seguirá acompanhando, questionando e expondo aquilo que o governo prefere manter fora dos holofotes. Porque, quando se trata de dinheiro público, omissão também é escolha política.

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