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Operação Fornitori – PCDF

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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor), deflagrou na manhã desta quinta-feira, 18, a Operação Fornitori, voltada ao desmantelamento de um núcleo fornecedor de drogas responsável por abastecimento no Distrito Federal, investigado pelos crimes de tráfico interestadual de entorpecentes, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de capitais. A ação mobilizou aproximadamente 120 policiais para o cumprimento simultâneo de mandados de prisão temporária, busca e apreensão e de medidas assecuratórias patrimoniais no Distrito Federal e em outros estados da federação.

A operação é desdobramento de investigação pretérita conduzida pela Draco desde 2023, que vêm mapeando a estrutura de uma facção criminosa originária do Distrito Federal. Se as fases anteriores alcançaram lideranças e executores ligados à facção, a presente etapa se volta ao elo situado acima deles na cadeia do tráfico: o núcleo atacadista de fornecimento e transporte interestadual de drogas que abastecia o grupo, bem como a engrenagem financeira utilizada para dar aparência de licitude aos recursos ilícitos. As apurações revelaram organização criminosa estável, hierarquizada e profissionalizada, com divisão funcional de tarefas e comando centralizado.

No topo da estrutura figura uma liderança estratégica, de atuação histórica no tráfico do Distrito Federal, que, para dificultar a persecução penal, passou a operar remotamente a partir de bases em outros estados, valendo-se de identidades falsas e de interpostas pessoas, em modelo de comando indireto e baixa exposição. Abaixo dela, um núcleo de fornecimento atuava na região de fronteira, intermediando e remetendo grandes carregamentos de entorpecentes, enquanto operadores de confiança, no Distrito Federal e entorno, respondiam pelo armazenamento, fracionamento e distribuição final da droga.

No curso das diligências da operação, uma das lideranças estratégicas do esquema já havia sido localizada e presa em dezembro de 2025, no município de Redenção (PA), pela Draco, com o apoio da Polícia Civil do Pará (PCPA). O investigado se encontrava foragido desde 2008 em razão de condenação a mais de 30 anos de prisão por triplo homicídio, e se mantinha à frente da articulação do tráfico mesmo à distância.

A capacidade operacional do grupo é evidenciada por anteriores apreensões de grande volume vinculadas à estrutura investigada, entre as quais um carregamento de mais de seis toneladas de maconha, no início de 2023, e, mais recentemente, cerca de duas toneladas do mesmo entorpecente apreendidas em Mato Grosso do Sul, atribuídas à liderança do esquema.

Paralelamente ao tráfico, a investigação identificou núcleo financeiro estruturado para a lavagem de capitais, mediante a utilização de pessoas jurídicas de fachada, a aquisição de imóveis e veículos de luxo em nome de terceiros e a pulverização de recursos por meio de contas de familiares e de interpostas pessoas. A ostentação de bens de alto valor — automóveis de luxo e embarcações de lazer —, incompatível com a renda formalmente declarada, reforça os indícios de dissimulação patrimonial e de blindagem do produto do crime.

Nesta fase ostensiva, foram deferidos 15 mandados de prisão temporária além de 20 mandados de busca e apreensão domiciliar em endereços vinculados aos investigados no Distrito Federal, em Goiás e em Mato Grosso do Sul. As ordens judiciais alcançaram, ainda, amplo conjunto de medidas assecuratórias patrimoniais, voltadas à descapitalização da organização: sequestro de veículos e de imóveis localizados no Distrito Federal, em Goiás, em Mato Grosso do Sul e em São Paulo; bloqueio de contas bancárias, via SISBAJUD, até o limite de R$ 1 milhão por investigado ou empresa vinculada; e afastamento dos sigilos fiscal e financeiro de pessoas físicas e jurídicas relacionadas ao esquema.

As diligências foram cumpridas no Distrito Federal — nas regiões administrativas de Taguatinga, Ceilândia e Recanto das Emas; em Goiás — nos municípios de Novo Gama, Caldas Novas, Anápolis e Abadiânia; e em Mato Grosso do Sul — nos municípios de Campo Grande e Bela Vista. A execução das medidas e das diligências contou com o apoio do Garras, da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS), da Polícia Civil de Goiás (PCGO) e da Divisão de Operações Especiais (D.O.E.) da PCDF.

A Operação Fornitori têm por objetivo interromper o fluxo de drogas destinado à capital, asfixiar o braço financeiro da organização investigada e responsabilizar toda a cadeia envolvida — do fornecimento atacadista à distribuição local —, em estratégia que ultrapassa a repressão episódica ao tráfico e se volta à neutralização estrutural do grupo criminoso. Os investigados poderão responder, conforme sua participação, pelos crimes de tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de capitais. Somadas, as penas em abstrato podem ultrapassar 40 anos de reclusão.





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