A chamada “Cidade da Segurança Pública” foi erguida no centro de Brasília como vitrine de organização e força do Estado. Centenas de profissionais da Polícia Militar do Distrito Federal, da Polícia Civil do Distrito Federal, do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal e do Departamento de Trânsito do Distrito Federal foram mobilizados para garantir a segurança dos foliões durante o Carnaval.
Mas enquanto o centro recebe reforço máximo, cresce a inquietação nas demais 34 regiões administrativas. A pergunta é direta: ao concentrar grande parte do efetivo na área central, quem protege os milhares de moradores que não participarão da festa?
Os números oficiais expõem um cenário que exige cautela. A Polícia Civil do DF conta com 791 policiais civis — sendo 198 escrivães e 593 agentes — além de 272 policiais penais vinculados à Secretaria de Administração Penitenciária. Já a Polícia Militar soma 10.476 integrantes, entre 1.230 oficiais, 1 praça especial e 9.245 praças, conforme almanaque consultado em 02/02/2026.
Em tese, pode parecer um contingente robusto. Na prática, porém, é preciso considerar férias, afastamentos, funções administrativas e escalas. Especialistas costumam citar parâmetros internacionais que indicam proporções ideais variando entre 1 policial para cada 250 a 450 habitantes. Com mais de 3 milhões de moradores no Distrito Federal, a matemática não é simples — e tampouco tranquilizadora.
O reforço para grandes eventos é necessário. O problema surge quando a estratégia aparenta privilegiar a imagem e o espetáculo, enquanto bairros das cidades-satélites temem ficar com policiamento reduzido. O efetivo deslocado para o período de Carnaval pode, sim, comprometer a segurança de quem permanece em casa, trabalha normalmente ou simplesmente não participa da folia.
Segurança pública não pode ser sazonal nem concentrada apenas onde há visibilidade. A população das regiões administrativas também exige presença, resposta rápida e prevenção constante. O desafio do governo é provar que a festa no centro não custará caro para quem vive longe dos palcos e trios elétricos.

