O que parecia uma tramitação tranquila começa a ganhar contornos de tensão nos bastidores. Deputados da chamada base governista demonstram crescente desconforto com a pressão para aprovar, em velocidade relâmpago, o projeto do Executivo que autoriza a venda de doze imóveis públicos em áreas estratégicas do Distrito Federal.
O mal-estar não é pequeno. Parte desses parlamentares já enfrentou desgaste ao apoiar medidas anteriores consideradas controversas, e agora avalia o custo político de chancelar mais uma proposta bilionária às vésperas de um ano eleitoral decisivo. Nos corredores, o discurso é de cautela; nas conversas reservadas, fala-se abertamente em risco eleitoral.
Mesmo sendo apenas sete, os deputados de oposição articulam uma verdadeira “artilharia pesada” para tensionar o debate. Reuniões estratégicas, discursos mais duros e mobilização nas redes sociais fazem parte do plano para tentar barrar a proposta ou, no mínimo, alertar a população sobre o que classificam como possível dilapidação do patrimônio público.
Entre os imóveis citados como garantia estão estruturas de alto valor, como o CETRAD, cuja construção teria custado mais de R$ 1 bilhão, além de áreas que incluem parte do Parque Ecológico Ezechias Heringer, no Guará, e outros terrenos considerados valiosíssimos no mercado imobiliário da capital.
Mas o clima pode esquentar ainda mais. Nos bastidores, já se fala na possibilidade de um levante silencioso dentro da própria base governista. Parlamentares que, oficialmente, sustentam o governo cogitam não comparecer à votação para evitar desgaste direto ou até mesmo declarar voto contrário à tramitação considerada assodada do Projeto de Lei. A ausência estratégica — ou a rebelião explícita — poderia expor fissuras que até então permaneciam disfarçadas.
Outra pergunta que ecoa entre eleitores e observadores políticos é por que, até o momento, não houve iniciativa para discutir medidas preventivas, como eventual bloqueio de bens dos responsáveis por decisões que envolvem cifras bilionárias, caso prejuízos futuros sejam comprovados. A cobrança, ainda tímida no plenário, ganha força fora dele.

