O agravamento das denúncias envolvendo a rede pública de saúde do Distrito Federal expõe não apenas falhas administrativas, mas também um silêncio ensurdecedor no campo político. Parlamentares da base governista na Câmara Legislativa do Distrito Federal têm evitado cobranças públicas mais incisivas ao Executivo, mesmo diante de relatos que apontam precariedade estrutural, falta de insumos e improvisos considerados graves.
A crise ganhou novos contornos após as denúncias no Hospital Regional de Planaltina, onde, por falta de estoque, frascos utilizados em exames de urina estariam sendo reutilizados. A situação foi classificada como alarmante por integrantes da Comissão de Saúde da Casa.
Apesar de o orçamento da saúde no Distrito Federal movimentar bilhões de reais anualmente, a percepção de profissionais e usuários do sistema é de que os recursos não se traduzem em melhorias concretas na ponta. Faltam materiais básicos, insumos hospitalares, equipamentos e, em alguns casos, profissionais suficientes para compor as escalas de plantão.
Nos corredores da Câmara Legislativa do Distrito Federal, a postura de parte da base aliada tem sido interpretada por opositores como condescendente. Até o momento, não há sinais de instalação de comissões específicas ou pedidos formais de auditoria com maior rigor sobre a execução orçamentária da Secretaria de Saúde.
Em entrevista recente, a vice-governadora Celina Leão afirmou que a saúde “é a área que mais recebe reclamações, mas também é a mais elogiada do governo”. A declaração, no entanto, contrasta com as denúncias recentes e com os relatos de profissionais que atuam na linha de frente do sistema público.
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O silêncio da base governista diante desse cenário amplia o desgaste político e levanta questionamentos sobre o papel fiscalizador do Legislativo. O debate agora deixa de ser apenas administrativo e passa a ser político: quem responde pela execução efetiva dos milhões investidos anualmente na saúde pública do DF?

