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Déficit de R$ 2 bilhões no Iprev-DF e prejuízos superior a R$ 4 bilhões do BRB entram na mira do TCDF

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Com informações Metropoles

O Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF) projeta um déficit de aproximadamente R$ 2,1 bilhões em 2026, reforçando a necessidade de aportes extraordinários para garantir o pagamento de aposentadorias e pensões no próximo ano. O valor é resultado de um quadro financeiro que já apresenta um rombo de R$ 956 milhões em 2025, apesar dos aportes realizados pelo Governo do Distrito Federal (GDF).

Aporte necessário para manter os pagamentos

Segundo documento interno obtido pelo Metrópoles, a Diretoria de Administração e Finanças do Iprev informou à presidência que terá de recorrer a recursos complementares para fechar as contas em 2026. Na última gestão, o déficit de 2025 foi parcialmente contido com aporte de R$ 574,5 milhões do Fundo Solidário Garantidor (FSG) e R$ 194,8 milhões de recursos próprios do GDF, mas ainda assim foi preciso utilizar parte do saldo de caixa acumulado para cobrir cerca de R$ 187 milhões adicionais.

O governador Ibaneis Rocha (MDB) afirmou que o déficit tem múltiplas causas e apontou que a situação não é única do DF, citando a necessidade de uma reforma da previdência em âmbito nacional — assunto que, de acordo com ele, só deverá ser debatido após as eleições.

Restrição do uso do Fundo Constitucional e impacto nas contas

Uma das razões destacadas pela diretoria do Iprev para o agravamento das contas foi uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que restringiu o uso do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) para pagamento de inativos e pensionistas das áreas de saúde e educação. Com isso, a previdência local teve que arcou com uma folha dupla de pagamento para servidores que se aposentaram após 2019, gerando maior pressão financeira.

O papel das ações do BRB e o impacto da operação Master

Um elemento central das dificuldades financeiras do Iprev está relacionado à transferência de ações do Banco de Brasília (BRB) ao instituto para recompor reservas após saques no passado. Essas ações, repassadas ao Iprev em 2017 para recompor parte de quase R$ 2 bilhões retirados em 2015, sofreram forte desvalorização e perderam valor, especialmente após a tentativa frustrada do BRB de adquirir o Banco Master.

Além da perda patrimonial direta com as ações, os prejuízos totais do BRB decorrentes das operações envolvendo o Banco Master já são estimados em mais de R$ 4 bilhões. O montante inclui impactos financeiros diretos e indiretos relacionados à tentativa frustrada de aquisição, à deterioração de ativos, à queda de valor de mercado do banco público e aos efeitos negativos sobre dividendos e resultados futuros.

Essa desvalorização impactou de forma direta o patrimônio do fundo dos servidores: os papéis que valiam R$ 531,4 milhões na época da transferência agora são negociados por cerca de R$ 406,5 milhões, gerando um prejuízo bruto de aproximadamente R$ 124,8 milhões para o Iprev.

TCDF apura prejuízos e possíveis irregularidades

Paralelamente à constatação do déficit, o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) abriu um processo para investigar os efeitos da operação Master/BRB sobre o patrimônio previdenciário. A investigação foi motivada por uma representação do deputado distrital Max Maciel (PSol), que aponta gestão temerária e omissão administrativa, especialmente no que diz respeito ao uso dos ativos do Fundo Solidário Garantidor (FSG).

No processo, o TCDF avalia a transferência de quase R$ 1,3 bilhão em ações do BRB ao Iprev como parte principal instrumento de sustentação do regime previdenciário, questionando a concentração desse patrimônio em um único ativo financeiro e os riscos decorrentes dessa estratégia.

Além disso, a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central em novembro de 2025, após identificação de irregularidades, levantou preocupações sobre os impactos sistêmicos dessa operação e seus reflexos nas reservas previdenciárias do Distrito Federal.

Riscos para a sustentabilidade da previdência do DF

O próprio balanço do Iprev de novembro de 2025 indicou insuficiência financeira para pagamento de aposentadorias e pensões, e a instituição chegou a solicitar um crédito suplementar para cumprir seus compromissos no ano passado.

O caso também motivou pedidos de esclarecimentos por parte de outros parlamentares, como o deputado Ricardo Vale (PT), que argumenta que as operações malsucedidas do BRB reduziram dividendos e podem comprometer ainda mais o caixa do Iprev, reforçando reivindicações por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Legislativa do DF para apurar os prejuízos e responsabilidades.

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