Cinco partidos de oposição — PDT, PT, PCdoB, PV e Rede Sustentabilidade — protocolaram nesta semana, na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), um pedido de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha (MDB) por crime de responsabilidade. A iniciativa está relacionada à crise envolvendo as negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, instituição atualmente em liquidação extrajudicial pelo Banco Central.
No documento, as legendas acusam o governador de ter participação direta, reiterada e “entusiasmada” em decisões que teriam gerado prejuízos bilionários ao Distrito Federal, com indícios de violação aos deveres constitucionais do cargo, afronta à legalidade e uso temerário de recursos públicos. Para a oposição, Ibaneis extrapolou os limites institucionais ao interferir politicamente em uma operação financeira de alto risco, ignorando alertas técnicos, manifestações de órgãos de controle e decisões judiciais que apontavam a necessidade de autorização legislativa específica para a compra de parte do Banco Master pelo BRB.
A peça destaca que o BRB aprofundou relações comerciais com o Banco Master em 2024, culminando, em março de 2025, na aprovação da aquisição de 58% das ações da instituição privada. O Ministério Público chegou a acionar a Justiça para barrar o negócio por falta de aval legislativo, posição confirmada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). Mesmo assim, o governador enviou à CLDF o Projeto de Lei nº 1.882/2025, aprovado em tramitação relâmpago e convertido na Lei nº 7.739/2025 para chancelar a operação.
Segundo os partidos, o negócio expôs o banco público a ativos de “qualidade negativa”, levando o Banco Central a determinar o provisionamento de R$ 2,6 bilhões e culminando na liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, além do afastamento judicial de dirigentes do BRB. A oposição afirma que o prejuízo potencial pode superar R$ 12 bilhões, configurando um dos maiores danos financeiros da história do DF.
A denúncia também aponta que Ibaneis manteve contato direto com o controlador do Banco Master durante as negociações e defendeu publicamente a operação mesmo após o avanço das investigações conduzidas pelo Banco Central, Ministério Público e Polícia Federal. Em entrevistas, o governador chegou a classificar os problemas como “excesso de confiança”, argumento rejeitado pela oposição.
O líder da minoria na CLDF, deputado Gabriel Magno (PT), afirma que o caso revela um “aparelhamento” do BRB para atender interesses privados. Ele cita ainda outros episódios mencionados no pedido, como patrocínios do banco público a eventos de Fórmula 1 e ao Clube de Regatas Flamengo, financiamento de imóveis de luxo para políticos e a aquisição, por Ibaneis, de uma fazenda pertencente ao patrimônio do BRB por cerca de 60% do valor de avaliação.
Com base nos artigos 9º, 10º e 11º da Lei nº 1.079/1950 (Lei dos Crimes de Responsabilidade), os partidos pedem que a CLDF receba a denúncia, declare sua admissibilidade e instaure o processo político-administrativo de impeachment, com o afastamento do governador por até 180 dias para garantir a independência das investigações.
Segundo a senadora Leila do Vôlei (PDT-DF), presidente do partido no DF, o pedido integra um conjunto de iniciativas da oposição, que inclui ações no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e uma comissão no Senado para investigar o caso. “A saída de Ibaneis Rocha do cargo é essencial para garantir transparência e impedir qualquer interferência política nas apurações”, afirmou.
O pedido será encaminhado ao presidente da CLDF, deputado Wellington Luiz (MDB), a quem caberá decidir pelo acolhimento ou arquivamento da denúncia. Para Gabriel Magno, “a Câmara precisa dar uma resposta rápida à população”, pois, em sua avaliação, Ibaneis “perdeu as condições políticas de permanecer no cargo”.

