Início#DESTAQUEBase racha, oposição se une e Ibaneis Rocha sofre derrota na Câmara...

Base racha, oposição se une e Ibaneis Rocha sofre derrota na Câmara Legislativa

Publicado em

O governador Ibaneis Rocha (MDB) amargou uma derrota política na Câmara Legislativa do Distrito Federal. O que o Palácio do Buriti tratava como mera formalidade virou um embate que escancarou o racha na base governista e deu fôlego à oposição.

A pequena bancada oposicionista — formada por Chico Vigilante, Gabriel Magno, Paula Belmonte, Ricardo Vale, Max Maciel, Fábio Félix e Dayse Amarilio — mostrou que articulação pesa mais que maioria automática. Unidos, conseguiram barrar, ao menos por ora, o projeto do Executivo que autorizava a venda de prédios e lotes do patrimônio público do Distrito Federal.

A proposta nº 2175/2026 previa a alienação de imóveis estratégicos, mas encontrou resistência crescente dentro e fora do plenário. A pressão popular ampliou o desgaste e expôs o desconforto de deputados governistas diante de um texto considerado vago, genérico e apressado.

O constrangimento aumentou quando um integrante da própria base rompeu o script. O deputado distrital Thiago Manzoni declarou em plenário que votaria contra o projeto. Classificou a matéria como um “cheque em branco” ao Executivo, apontando ausência de avaliação individualizada dos imóveis, falta de critérios objetivos e inexistência de clareza sobre valores e destinação dos recursos.

A derrota, ainda que momentânea, expõe a fragilidade da articulação política do Buriti e levanta dúvidas sobre a condução de pautas que envolvem patrimônio público. Fica evidente que maioria formal não garante obediência automática quando faltam transparência, fundamentação técnica e segurança jurídica.

Nos bastidores, ficou clara a preocupação do governador com a aprovação do projeto em regime de máxima urgência. Relatos indicam que Ibaneis tem ligado pessoalmente para parlamentares da base, pedindo apoio para que a proposta seja levada a voto o quanto antes. A movimentação chamou atenção: o governador não costuma adotar tom conciliador nem tratar aliados com pedidos diretos de ajuda.

A súbita mudança de postura gerou estranhamento. Deputados comentam, reservadamente, que a pressa e o esforço incomum revelam mais do que simples prioridade administrativa — indicam necessidade política.

Apesar de o plenário contar com ampla presença de parlamentares da base, inclusive de partidos ligados ao governador Ibaneis Rocha (MDB) e à vice-governadora Celina Leão, nenhum deles se dispôs a rebater os argumentos apresentados pela oposição. O silêncio foi interpretado como sinal de desconforto diante das denúncias sobre um possível rombo bilionário envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e os prejuízos relacionados aos papéis do Banco Master.

Chico Vigilante foi enfático ao afirmar que a Câmara precisa ouvir o presidente do BRB e representantes do Governo do Distrito Federal antes de qualquer decisão. Também criticou a pressão de portais que recebem recursos públicos da Secretaria de Comunicação do DF, acusando-os de atacar parlamentares que não se curvam aos interesses do Buriti.

Nos corredores da Câmara, a pergunta já ecoa: estaria o governador provando do próprio método político? E, no momento em que mais precisa, os chamados “aliados” irão se afastar para preservar a própria sobrevivência?

- PUBLICIDADE -

Últimas notícias

- PUBLICIDADE -

Você pode gostar