CLDF lança revista com diagnóstico sobre insegurança alimentar na 3ª idade
Publicação reúne dados sobre alimentação, nutrição e vulnerabilidade social para orientar políticas públicas voltadas à população idosa do Distrito Federal
A Câmara Legislativa do DF, por meio da Procuradoria Especial de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa (PRO 60+) e da Consultoria Técnico-Legislativa de Fiscalização, Controle, Acompanhamento de Políticas e Contas Públicas e Execução Orçamentária (Conofis), lançou a revista “Insegurança Alimentar entre Pessoas Idosas no Distrito Federal”. A publicação reúne dados e análises sobre alimentação, nutrição e vulnerabilidade social da população idosa do DF, com o objetivo de subsidiar políticas públicas mais eficazes.
O estudo revela que o Distrito Federal possui mais de 401 mil pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 13,46% da população. Esse contingente vem crescendo de forma contínua nas últimas décadas, o que reforça a necessidade de ampliar o olhar sobre questões que impactam diretamente a qualidade de vida dessa população, como o acesso a uma alimentação adequada.
Apesar de apresentar a maior expectativa de vida do país, de aproximadamente 79,7 anos, o DF ainda enfrenta desigualdades significativas entre regiões administrativas, especialmente quando se observam os níveis de vulnerabilidade social. Essas diferenças se refletem diretamente nas condições de segurança alimentar da população idosa.
Para o procurador da PRO 60+, deputado Chico Vigilante (PT), conhecer essa realidade é fundamental para orientar a atuação do poder público. “Garantir o acesso à alimentação adequada é assegurar dignidade, saúde e qualidade de vida. Este estudo oferece informações importantes para que o poder público possa identificar vulnerabilidades e fortalecer políticas que protejam as pessoas idosas do Distrito Federal”, afirmou.
Desafios nutricionais e sociais
Além de mapear a insegurança alimentar, a revista aponta desafios relacionados ao estado nutricional da população idosa. Entre eles, destaca-se a coexistência de sobrepeso e baixo peso, evidenciando uma “dupla carga” de problemas nutricionais que exige atenção das políticas públicas. A média de sobrepeso chega a 44,77%, enquanto o baixo peso atinge cerca de 10,16% das pessoas acompanhadas pela atenção primária.
Outro ponto de alerta é o padrão alimentar. Embora haja consumo relevante de alimentos naturais, o documento mostra crescimento na ingestão de produtos ultraprocessados, com média superior a 45% entre idosos. Esse cenário pode agravar doenças crônicas e comprometer a qualidade de vida.
A publicação também evidencia diferenças territoriais importantes. Regiões com maior vulnerabilidade social – como Sol Nascente e Pôr do Sol – apresentam indicadores mais críticos, reforçando a relação direta entre renda, acesso a serviços e segurança alimentar.
Necessidade de mais dados e políticas integradas
O levantamento chama atenção para a carência de dados públicos detalhados, especialmente informações desagregadas por região administrativa e faixa etária nos programas sociais. Essa lacuna dificulta o direcionamento de recursos e a elaboração de políticas mais precisas.
Entre as recomendações, a revista propõe o fortalecimento de ações intersetoriais entre saúde e assistência social, a ampliação do monitoramento nutricional e a criação de estudos periódicos sobre segurança alimentar da população idosa.
Também são sugeridas iniciativas como o aperfeiçoamento de programas de transferência de renda, a qualificação de profissionais para identificação de casos de desnutrição e a melhoria dos sistemas de informação.
A revista “Insegurança Alimentar entre Pessoas Idosas no Distrito Federal” e o estudo técnico completo estão disponíveis para consulta na seção de Publicações e Artigos da página da PRO 60+ e da CONOFIS no portal da CLDF.

