Senadora afasta rótulo de neutralidade e destaca sua capacidade de diálogo como diferencial em relação a candidaturas adversárias
A senadora Leila do Vôlei (PDT-DF) destacou sua capacidade de diálogo como uma vantagem competitiva rumo à reeleição, diante do ambiente de polarização da política nacional, nesta terça-feira (22), em sabatina como candidata ao Senado na rádio CBN Brasília.
“Meu partido é o Distrito Federal”, disse Leila ao ser questionada por sua facilidade de transitar entre agendas de direita e esquerda. “Eu venho do esporte e aprendi desde cedo a conviver com as diferenças e respeitar pensamentos divergentes, mas, uma vez dentro da política, percebi que a alma do Poder Legislativo é o diálogo. Por isso, realmente me relaciono bem com os dois polos, sem odiar ninguém, embora eu tenha um lado: sempre buscar o melhor para Brasília.”
Em resposta ao questionamento sobre as passagens por três legendas antes do Partido Democrático Trabalhista (PDT) serem uma “estratégia eleitoral”, Leila associou as trocas a circunstâncias de sua entrada na política e, principalmente, às dificuldades enfrentadas por mulheres dentro das estruturas partidárias. A senadora lembrou que já presidiu a sigla trabalhista no Distrito Federal e hoje se encontra em uma fase de maturidade política, “no lugar certo e no momento certo da história”.
Sobre temas que provocam forte polarização legislativa, como descriminalização de drogas, marco temporal e redução da maioridade penal, Leila ressaltou que sua disposição para conversar com diferentes grupos não significa ausência de posicionamento, afastando qualquer rótulo de neutralidade, mas apontou que prefere evitar debates transformados em disputas nas redes sociais. Ela criticou parlamentares que priorizam “cortes” capazes de gerar repercussão dentro de “bolhas” nas redes sociais.
A senadora usou como exemplo as suas assinaturas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Lava Toga, em 2019, e de um pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), neste mês, para demonstrar seu compromisso democrático com um Poder Judiciário forte e transparente.
“Essa pauta não é de direita nem de esquerda, mas da moralidade, porque ninguém está acima da lei”, enfatizou Leila, em referência às relações suspeitas de diversos ministros do STF com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ela citou ainda a expectativa de que o presidente do Supremo, Edson Fachin, adote medidas efetivas como a definição de um Código de Ética e eventuais investigações de seus colegas.
Ao longo da sabatina, a candidata apresentou seu trabalho como um combinado entre posicionamentos firmes e disposição para negociar com diversos setores. A estratégia, segundo a senadora, é evitar que a divergência política impeça a construção de acordos em temas que considera relevantes para o Distrito Federal e para o país.

