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Leandro Grass apresenta plano para a saúde do DF com foco em reduzir filas, ampliar equipes e reorganizar a rede

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Candidato ao Governo do DF propõe mutirão permanente para consultas, exames e cirurgias, expansão da atenção básica, contratação de profissionais e mudanças na gestão do IGES-DF

O candidato ao Governo do Distrito Federal Leandro Grass (PT) apresentou um conjunto de 23 propostas para a área da saúde, com medidas voltadas à redução das filas, ampliação da atenção básica, recuperação da estrutura hospitalar e reorganização da gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) no DF.

O plano estabelece como uma das principais metas dos primeiros 100 dias de governo a implantação do programa “Saúde Sem Espera — fila que anda”, com um mutirão permanente de consultas, exames e cirurgias. A proposta prevê utilizar a capacidade ociosa das redes pública, privada e filantrópica, com remuneração por produção, fila única regulada e um painel público para acompanhar a espera por procedimento, especialidade e Região Administrativa.

Grass também propõe a adesão integral do Distrito Federal ao programa federal “Agora Tem Especialistas”, utilizando carretas para atendimento em áreas como saúde da mulher, oftalmologia e diagnóstico por imagem, além da reativação de salas cirúrgicas e ambulatórios ociosos em terceiro turno.

Mais salas cirúrgicas e equipamentos em funcionamento

Outro eixo do plano é a recuperação da capacidade instalada da rede. A proposta prevê um contrato distrital único para manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos de saúde, com inventário público, prazo máximo para reparos e acompanhamento da disponibilidade dos aparelhos.

O candidato também propõe concluir a aquisição e instalação de equipamentos como ressonâncias magnéticas, tomógrafos, aparelhos de endoscopia e colonoscopia, além de equipamentos odontológicos que, segundo o plano, já foram comprados, mas ainda não estão em funcionamento.

Para os centros cirúrgicos, a meta apresentada é ampliar a utilização das salas atualmente ociosas, com equipes completas, insumos, anestésicos e contratos permanentes para órteses, próteses e materiais especiais.

Atenção básica deve ganhar cerca de 500 novas equipes

Na atenção primária, o plano de Grass prevê uma expansão significativa da Estratégia Saúde da Família.

A proposta estabelece como meta sair das cerca de 600 equipes atuais para aproximadamente 1.100, além de recompor as 342 equipes apontadas como incompletas no diagnóstico apresentado pela candidatura.

A expansão envolveria, segundo o documento, aproximadamente 500 médicos de família, 500 enfermeiros, 500 técnicos de enfermagem e entre 2 mil e 2,5 mil agentes comunitários de saúde.

O plano também aponta a necessidade de ampliar a infraestrutura. Atualmente, o DF conta com cerca de 182 Unidades Básicas de Saúde, e a candidatura estima que seriam necessárias aproximadamente 330 unidades para uma cobertura territorial mais ampla, embora parte dessa expansão possa ocorrer com o aumento do número de equipes nas UBS já existentes.

Concursos e recomposição dos servidores

A falta de profissionais aparece como outro ponto central do programa.

Grass propõe convocar aprovados em concursos, incluindo profissionais de enfermagem, e realizar novo concurso para Especialista em Saúde.

O plano cita um déficit de 4.166 profissionais em 17 especialidades, incluindo farmácia, terapia ocupacional, administração, fisioterapia, serviço social e psicologia.

A candidatura também defende mudanças nas carreiras da saúde e uma política de retenção de médicos, além de medidas voltadas à redução do absenteísmo entre os servidores.

Vacinação e saúde da mulher

A vacinação é tratada como prioridade nos primeiros 100 dias. O plano prevê uma campanha distrital com ampliação dos pontos de vacinação para escolas, terminais, feiras, locais de trabalho e atendimento domiciliar por agentes comunitários.

A proposta também prevê horários estendidos e vacinação aos fins de semana nas UBS.

Na saúde da mulher, Grass estabelece como metas ampliar o acesso à mamografia e ao exame preventivo, com prazo de até 30 dias, além de aumentar a captação precoce das gestantes para o pré-natal.

Saúde mental entra entre as prioridades

O programa prevê ainda a criação de um Programa Distrital de Saúde Mental, com psicólogo nas UBS e ampliação da rede de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

A proposta estabelece como objetivo ampliar a cobertura regional, habilitar unidades existentes junto ao Ministério da Saúde e buscar novos equipamentos por meio do Novo PAC.

O plano também prevê a criação dos primeiros Centros de Convivência do DF e a ampliação de leitos de saúde mental em hospitais gerais.

Reforma de hospitais e conclusão de obras

Na média e alta complexidade, o candidato propõe um plano de reforma hospitalar com diagnóstico estrutural nos primeiros 90 dias e execução ao longo de quatro anos.

Entre as unidades citadas estão os hospitais regionais de Santa Maria, Gama, Ceilândia, Samambaia, Planaltina e Sobradinho.

O programa também coloca entre as prioridades a conclusão de obras como o Hospital Oncológico de Brasília, o Hospital de São Sebastião, o Hospital do Recanto das Emas e o Hospital Clínico Ortopédico do Guará.

A proposta estabelece ainda um painel público para acompanhar prazos, responsáveis e andamento das obras.

Meta de recompor cerca de 2 mil leitos

O plano de governo trabalha com a meta de recompor aproximadamente 2 mil leitos do SUS em quatro anos, priorizando UTIs adultas, pediátricas e neonatais.

Também está prevista a conclusão de sete UPAs já contratadas, nos locais indicados pela candidatura: Guará, Estrutural, Águas Claras, Água Quente, Sol Nascente, Arapoanga e Taguatinga.

Com isso, a proposta prevê ampliar a rede de 13 para 20 UPAs.

Outra medida é habilitar novos leitos junto ao Ministério da Saúde e criar um serviço público de transplante de medula óssea, atualmente inexistente na rede pública do DF, segundo o plano.

Hospital da Mulher e atenção à infância

O programa também prevê a integração das redes materno-infantil e pediátrica, com fortalecimento do Hospital Materno Infantil de Brasília e do Hospital da Criança.

Entre os focos está o atendimento a crianças com transtorno do espectro autista e outras condições do desenvolvimento.

A proposta ainda prevê centros de parto normal nas regiões de saúde e a ampliação dos leitos pediátricos e de UTI pediátrica.

Mudança no modelo de gestão do IGES-DF

Uma das propostas de maior impacto administrativo é a mudança no modelo de gestão do IGES-DF.

Grass defende que hospitais e UPAs atualmente administrados pelo instituto retornem ao comando direto da Secretaria de Saúde.

O plano prevê auditoria dos contratos, estabelecimento de metas mensuráveis e prestação de contas pública.

A mudança seria acompanhada por um plano de transição, com cronograma publicado e incorporação gradual dos serviços à rede pública, além de uma solução para os trabalhadores celetistas do instituto.

Financiamento e atendimento ao Entorno

O último eixo do programa trata do financiamento da saúde.

A proposta defende a recomposição do investimento do Tesouro distrital e uma articulação com o Governo Federal e o Estado de Goiás para estabelecer um modelo de cofinanciamento do atendimento aos moradores do Entorno que utilizam a rede pública do Distrito Federal.

Segundo o documento apresentado pela candidatura, cerca de 1,2 milhão de moradores do Entorno dependem do SUS-DF.

A ideia é adequar os serviços às normas federais para ampliar habilitações e destravar recursos destinados à saúde.

Um plano concentrado em filas, estrutura e gestão

As 23 propostas apresentadas por Leandro Grass concentram-se em três grandes frentes: reduzir o tempo de espera dos pacientes, ampliar a capacidade de atendimento do SUS e reorganizar a gestão da rede.

Entre as metas estão a criação de uma fila única transparente, ampliação da atenção básica, contratação e valorização de profissionais, recuperação de equipamentos, conclusão de hospitais e UPAs, expansão de leitos, fortalecimento da saúde mental e mudança no modelo de gestão do IGES-DF.

O plano também estabelece prazos para algumas medidas, especialmente nos primeiros 90 e 100 dias de governo, e propõe mecanismos de acompanhamento público para obras, equipamentos, filas e contratos.

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