Distrito Federal ganha marco legal para escolas cívico-militares
Norma cria um marco legal específico para o modelo de gestão compartilhada entre a Secretaria de Educação e a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal
Foi publicada, na quarta-feira (29), a Lei nº 7.937/2026, que estabelece as diretrizes das escolas cívico-militares do Distrito Federal, regulamentando aspectos relacionados à gestão, disciplina, organização e funcionamento. De autoria do deputado Roosevelt Vilela (PL), a norma cria um marco legal específico para o modelo de gestão compartilhada entre a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) e a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF).
Entre os principais objetivos do Programa Escolas Cívico-Militares do DF estão a melhoria da qualidade da educação pública, a redução da violência no ambiente escolar, o combate à evasão e à repetência, a promoção dos direitos humanos, o fortalecimento do civismo e a ampliação da participação da comunidade escolar na gestão das unidades. A legislação também prevê ações para aprimorar o ambiente de trabalho dos profissionais da educação, fortalecer a infraestrutura das escolas e garantir igualdade de condições para acesso e permanência dos estudantes.
De acordo com o texto, a SEEDF é responsável pela gestão administrativa e pedagógica das escolas. Já a SSP-DF responde pela gestão disciplinar, utilizando efetivos da Polícia Militar do Distrito Federal e do Corpo de Bombeiros Militar do DF na coordenação de atividades extracurriculares e ações voltadas à formação cívica, moral e ética dos estudantes. A SSP-DF poderá empregar servidores dos órgãos vinculados à pasta, com preferência para militares veteranos, nas atividades desenvolvidas nas escolas cívico-militares.
A estrutura administrativa das unidades contará com cargos pedagógico-administrativos, como diretor, vice-diretor, supervisor e chefe de secretaria, além de funções específicas da gestão disciplinar, incluindo comandante-disciplinar, subcomandante-disciplinar, supervisor disciplinar e instrutores ou monitores.
A lei define como escola cívico-militar a instituição da rede pública caracterizada pelo regime de gestão compartilhada entre profissionais da educação e militares da reserva, com foco na promoção de valores cívicos, disciplina, cultura de paz, excelência acadêmica e segurança escolar.
Critérios para adesão
A indicação das unidades de ensino para integrar o modelo considerará, entre outros critérios, as vulnerabilidades sociais, os índices de criminalidade bem como os indicadores de desenvolvimento humano e da educação básica. As escolas interessadas também deverão realizar audiências públicas.
A legislação prevê ainda a obrigatoriedade do uso de uniforme padrão por todos os estudantes das escolas cívico-militares. Os critérios para fornecimento, adequação e reposição serão definidos pela Secretaria de Educação, observando princípios de economicidade e acessibilidade.
As escolas deverão seguir as Diretrizes Curriculares Nacionais e a Base Nacional Comum Curricular, acrescidas de atividades extracurriculares ligadas à cultura cívico-militar, como ética e cidadania, ordem unida, banda de música, musicalização, esportes e teatro.
O Regulamento Disciplinar Escolar deverá estabelecer regras de conduta, valores, deveres dos alunos, critérios de pontuação disciplinar e procedimentos para aplicação de medidas disciplinares, assegurando o direito à defesa e ao contraditório.
A norma institui ainda o Dia do Colégio Cívico-Militar, a ser comemorado anualmente em 5 de setembro, e oficializa o Hino dos Colégios Cívico-Militares, composto pelo capitão QOBM/Músico Huadson Gutemberg e pelo 1º tenente Kaelson Souza.
A lei entrará em vigor 90 dias após sua publicação. Confira aqui o texto completo.

