O Governo do Distrito Federal encaminhou à Câmara Legislativa um projeto de lei que autoriza a contratação de uma operação de crédito de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para realizar um aporte de capital no Banco de Brasília (BRB). A medida é apresentada pelo governo como uma solução para fortalecer a instituição financeira, mas levanta questionamentos sobre os riscos que poderão recair diretamente sobre as contas públicas do DF.
Pelo texto enviado pela governadora Celina Leão, o GDF poderá contrair a dívida para socorrer o BRB e ainda oferecer garantias robustas para assegurar o pagamento da operação. Entre elas estão receitas do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), recursos essenciais para a manutenção de serviços públicos como saúde, educação e segurança.
Na prática, caso o BRB não consiga gerar recursos suficientes para devolver o dinheiro investido, o Distrito Federal poderá ficar responsável por uma dívida bilionária, comprometendo receitas futuras e reduzindo a capacidade de investimento do governo.
Embora a Secretaria de Economia afirme que o banco deverá ressarcir integralmente os valores aportados, incluindo juros e demais encargos financeiros, essa previsão está baseada em expectativas de desempenho futuro da instituição financeira.
Outro ponto que chama atenção é a possibilidade de venda de parte das ações do BRB para recompor os cofres públicos. O texto prevê a alienação de participação acionária do Distrito Federal, desde que o governo mantenha pelo menos 52% das ações com direito a voto.
Especialistas em finanças públicas alertam que operações desse porte costumam transferir riscos privados para o setor público. Se o banco se recuperar, os ganhos permanecem com a instituição. Porém, se houver dificuldades financeiras ou mudanças no cenário econômico, quem poderá arcar com a conta será o contribuinte.
O governo sustenta que o aporte é necessário para preservar cerca de seis mil empregos e garantir a continuidade das operações do BRB. Também argumenta que a medida foi construída em acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal e representa uma alternativa para fortalecer o banco.
O debate agora chega à Câmara Legislativa. De um lado, a narrativa de que o empréstimo é essencial para salvar o BRB. Do outro, a preocupação de que o Distrito Federal esteja assumindo uma dívida bilionária, colocando em risco receitas públicas para resolver problemas de uma instituição financeira.
A pergunta que fica é inevitável: trata-se de uma estratégia para salvar o BRB ou de um novo capítulo de endividamento do GDF que poderá ser pago pela população nos próximos anos?

