A Polícia Civil do Distrito Federal, por intermédio da Divisão de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos (DRFV), vinculada à Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (CORPATRI), deflagrou, na data de 28 de abril de 2026, a Operação Desmonte, com o objetivo de desarticular associação criminosa estruturada e voltada à prática de receptação qualificada de veículos automotores oriundos de crimes de furto e roubo ocorridos no Distrito Federal e no Estado de Goiás.
A ação policial resultou no cumprimento de sete mandados de busca e apreensão nas regiões administrativas de Ceilândia e Taguatinga, tendo como alvos estabelecimentos comerciais do ramo automotivo que, sob aparência de legalidade, eram utilizados como pontos de recepção, ocultação e comercialização de peças provenientes de veículos subtraídos.
Ao todo, dez indivíduos foram indiciados, todos diretamente vinculados à administração ou propriedade de empresas atuantes no comércio de peças, acessórios e componentes automotivos. Conforme apurado, integravam a engrenagem criminosa responsável pelo escoamento de produtos ilícitos. Durante o cumprimento das medidas judiciais, a ação policial resultou, ainda, na prisão em flagrante de dois indivíduos do sexo masculino, responsáveis por estabelecimentos investigados. Ressalta-se que ambos já possuem antecedentes criminais relacionados a delitos envolvendo veículos automotores, circunstância que reforça os indícios de reiteração delitiva e habitualidade criminosa.
A operação contou com o apoio técnico de empresa especializada em diagnóstico inteligente veicular.
Contextualização do Esquema Criminoso
A investigação teve início em 8 de agosto de 2024, a partir da localização, na região de Ceilândia/DF, de um imóvel utilizado como depósito clandestino e centro estruturado para o desmanche de veículos automotores de origem ilícita.
No local, após a realização de exames periciais minuciosos, foram identificadas diversas peças automotivas vinculadas a, ao menos, 17 veículos com registro de furto ou roubo ocorridos entre os anos de 2024 e 2025. Tal circunstância evidenciou a atuação sistemática, reiterada e profissionalizada do grupo criminoso investigado.
No curso das diligências, restou demonstrada a existência de estrutura criminosa organizada, dotada de estabilidade, permanência e divisão funcional de tarefas, características típicas de associações voltadas à prática de delitos patrimoniais complexos. Verificou-se que a engrenagem delitiva era composta por múltiplos núcleos de atuação, cada qual desempenhando papel específico na cadeia criminosa.
Inicialmente, identificou-se o núcleo responsável pela subtração dos veículos, incumbido da prática de furtos e roubos, frequentemente mediante emprego de violência ou grave ameaça. Na sequência, atuava o núcleo de recepção e ocultação, encarregado de armazenar os veículos em galpões, oficinas e outros locais clandestinos, garantindo sua ocultação e dificultando a ação estatal.
Paralelamente, operava o núcleo de adulteração, responsável pela modificação dos sinais identificadores dos veículos, com o objetivo de inviabilizar sua rastreabilidade e vinculação aos crimes antecedentes. Superada essa etapa, os automóveis eram encaminhados ao núcleo de desmanche, onde eram integralmente desmontados, com a separação de peças, componentes e acessórios.
Por fim, constatou-se a atuação do núcleo de comercialização, responsável pela inserção das peças oriundas do desmonte no mercado ilícito, tanto por meio de estabelecimentos físicos quanto por intermédio de plataformas digitais, conferindo aparência de legalidade à atividade criminosa e assegurando a obtenção de vantagem econômica indevida.
Dinâmica da Cadeia Criminosa
O modelo operacional identificado demonstra elevado grau de organização e sofisticação. Após a subtração, os veículos eram rapidamente encaminhados para locais seguros, onde passavam por processos iniciais de adulteração. Em seguida, eram destinados a oficinas clandestinas para desmontagem integral.
As peças resultantes eram distribuídas para estabelecimentos comerciais que atuavam como fachada legal, sendo revendidas como se fossem de origem lícita, inclusive por meio de plataformas de comércio eletrônico, o que ampliava o alcance da atividade criminosa.
Além disso, a investigação identificou que parte dos envolvidos mantinha interações com indivíduos diretamente ligados à prática de furtos e roubos, evidenciando a integração entre diferentes etapas da cadeia delitiva.
Impacto e Relevância da Operação
A Operação Desmonte representa importante avanço no enfrentamento qualificado aos crimes patrimoniais envolvendo veículos automotores, especialmente no que diz respeito à repressão das etapas posteriores à subtração, essenciais para a manutenção da atividade criminosa.
Ao atingir diretamente o núcleo responsável pela receptação e comercialização, a ação policial compromete a viabilidade econômica do crime, reduzindo a demanda por veículos furtados ou roubados.
A desarticulação desse tipo de estrutura impacta significativamente toda a cadeia delitiva, uma vez que, sem mercado consumidor para peças ilícitas, há redução direta nos índices de furtos e roubos de veículos.
As investigações prosseguem com o objetivo de identificar outros integrantes da organização criminosa, especialmente aqueles responsáveis pela execução direta dos crimes de subtração, bem como aprofundar a responsabilização penal dos envolvidos já identificados.
A Polícia Civil do Distrito Federal reafirma seu compromisso institucional com a repressão qualificada aos crimes patrimoniais e destaca a importância da integração entre inteligência policial, tecnologia e investigação financeira no combate às organizações criminosas.
Assessoria de Comunicação – PCDF
PCDF, excelência na investigação

