Início#BRASILTemer confirma conversa entre Ibaneis e Vorcaro sobre Master

Temer confirma conversa entre Ibaneis e Vorcaro sobre Master

Publicado em

O Jornal Correio Braziliense publicou neste sábado entrevista com o ex-presidente Michel Temer, que confirma conversa entre Ibaneis Rocha e Daniel Vorcaro sobre o Banco Master.

O ex-presidente afirmou que o ex-governador do Distrito Federal participou de um encontro, em Brasília, com o banqueiro e o ex-presidente do BRB.

Segundo Temer, ele participou de uma reunião na capital federal com Ibaneis Rocha, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e Daniel Vorcaro. A informação foi dada em entrevista à CNN Brasil. O ex-chefe do Executivo não precisou a data do encontro, afirmando apenas que ocorreu “bem antes da liquidação” e que sua participação foi como advogado contratado para prestar “consultoria e mediação” à instituição de Vorcaro.

O teor da entrevista colide, em parte, com declarações anteriores de Ibaneis. O ex-governador admite ter se encontrado com o dono do Banco Master em “algumas oportunidades” — incluindo reuniões em sua residência e na casa de Vorcaro, em Brasília —, mas nega conversas específicas sobre negociações envolvendo a possível aquisição de parte do capital do banco pelo BRB.

Temer também confirmou ter recebido honorários do Grupo Master “para fazer essa intermediação e assessoria jurídica”, motivo pelo qual esteve em Brasília para o encontro com Ibaneis e Paulo Henrique Costa. “Vorcaro apareceu depois (na reunião)”, acrescentou o ex-presidente.

Nesta semana, a imprensa teve acesso a declarações do Imposto de Renda do Banco Master enviadas pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado, no Senado. Os documentos mostram pagamentos milionários a quase 100 escritórios de advocacia em 2025. Entre eles, o escritório de Michel Temer recebeu cerca de R$ 10 milhões, enquanto o da esposa do ministro Alexandre de Moraes recebeu R$ 40,1 milhões — o maior valor pago no período.

Também aparecem na lista os escritórios do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski (R$ 2,3 milhões) e do presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda (R$ 1 milhão). No total, as bancas contratadas pelo Master receberam R$ 304,5 milhões, segundo dados declarados à Receita Federal.

“Não recebi dinheiro, recebi honorários”, frisou Temer, explicando que, após deixar a vida pública, atua exclusivamente como advogado. Ele não detalhou o conteúdo das conversas, alegando confidencialidade. Os encontros entre Ibaneis e Vorcaro foram relatados pelo próprio banqueiro em depoimento ao STF, em dezembro de 2025.

Após a divulgação desses depoimentos, Ibaneis minimizou a relevância das conversas. “Nunca tratei de nada relacionado ao BRB com o Vorcaro. Todas as tratativas foram feitas pelo Paulo Henrique (Costa)”, afirmou ao Correio em janeiro.

A reportagem procurou Ibaneis para comentar as declarações de Temer, mas o ex-governador disse não ter mais nada a acrescentar.


CPI

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado, tentou ouvir Ibaneis em duas ocasiões, mas ele não compareceu. Na primeira, em fevereiro, foi convidado. Na última terça-feira, convocado, deixou de comparecer após obter habeas corpus concedido pelo ministro André Mendonça, que reconheceu o direito de não produzir provas contra si mesmo.

Para o relator da CPI, senador Alessandro Vieira, decisões como essa enfraquecem o papel investigativo das comissões. “Lamento a reiteração de decisões do Supremo Tribunal Federal esvaziando CPIs”, afirmou.

Com o pedido de prorrogação negado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a CPI deve encerrar seus trabalhos na próxima terça-feira. Está prevista a oitiva do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, como testemunha, seguida da votação do parecer final.

Instalada em novembro de 2025, a comissão investiga a atuação de organizações criminosas no Brasil. As operações envolvendo o Banco Master entraram no foco da CPI devido à suspeita de que empresas ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro possam integrar um esquema de lavagem de dinheiro associado ao crime organizado.

- PUBLICIDADE -

Últimas notícias

- PUBLICIDADE -

Você pode gostar