Portais alinhados ao Palácio têm recorrido a uma estratégia conhecida no meio político: a reciclagem de pesquisas antigas para tentar influenciar o debate atual. Levantamentos realizados no fim de 2025 voltaram a circular como se refletissem o cenário presente, numa tentativa de criar uma narrativa favorável à chapa governista e confundir a opinião pública.
Nos bastidores, aliados admitem que o movimento revela preocupação. A chamada “tropa palaciana” intensificou a divulgação de números desatualizados justamente em um momento em que a base governista enfrenta desgaste político. O foco, segundo interlocutores, deveria estar na resolução dos problemas administrativos e na resposta às denúncias envolvendo o caso BRB–Master, que têm ampliado a rejeição e provocado ruídos entre apoiadores.

Enquanto isso, nomes da oposição avançam no contato direto com a população. O ex-governador José Roberto Arruda tem intensificado agendas nas cidades do Distrito Federal, apostando em caminhadas, reuniões comunitárias e encontros com lideranças locais. A estratégia é clara: ocupar o espaço das ruas enquanto o grupo governista concentra esforços na defesa política.
Nas ruas do Distrito Federal já é nítido o descontentamento de moradores em relação ao atual governo. Queixas sobre áreas como saúde, segurança e mobilidade urbana se repetem nas diferentes regiões administrativas. A percepção de desgaste, segundo analistas políticos, tende a se refletir nas pesquisas realizadas ao longo deste ano, especialmente se o cenário de crise e questionamentos persistir.
Com a pré-campanha ganhando temperatura, a disputa deixa de ser apenas sobre números e passa a refletir percepções de credibilidade, transparência e capacidade de gestão — fatores que, historicamente, pesam mais do que levantamentos reapresentados fora de contexto.

