As recentes declarações do governador Ibaneis Rocha sobre investimentos na saúde pública do Distrito Federal reacenderam críticas de parlamentares e especialistas, que apontam um descompasso entre o discurso oficial e a realidade enfrentada pela população.
Em janeiro, durante a assinatura da ordem de serviço do Hospital de São Sebastião, Ibaneis afirmou que o GDF vem “dando uma atenção muito importante” à área e reconheceu que o último hospital construído em Brasília tem aproximadamente 16 anos. A fala, no entanto, expôs uma lacuna: o governador está há quase oito anos à frente do Executivo local e, até o momento, nenhuma nova unidade hospitalar foi concluída em sua gestão.
A situação é ainda mais sensível no caso do próprio Hospital de São Sebastião. Há três anos, a Bancada Federal do DF destinou R$ 130 milhões para a construção da unidade, mas a obra permanece sem sair do papel, apesar dos recursos garantidos.
Nas redes sociais, a senadora Leila do Vôlei (PDT-DF) voltou a cobrar explicações e fez críticas diretas ao governo de Ibaneis Rocha e à vice-governadora Celina Leão. Em publicação recente, a parlamentar questionou a demora na execução das obras e o contraste entre o discurso oficial e a falta de atendimento, médicos e medicamentos nas unidades de saúde do DF.
Enquanto isso, usuários do sistema público continuam relatando dificuldades para conseguir atendimento, falta de profissionais em unidades básicas e desabastecimento de medicamentos em hospitais e UPAs — problemas que, segundo críticos, contradizem a narrativa de prioridade à saúde defendida pelo Palácio do Buriti.
O cenário reforça a cobrança por mais ações concretas e menos iniciativas de caráter simbólico. Parlamentares e representantes da sociedade civil têm pressionado o GDF por prazos claros e transparência na execução das obras e políticas voltadas à área.

