O avanço da CPMI do INSS aprofunda o cerco político contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e escancara o enfraquecimento de sua sustentação política diante das investigações em curso no Congresso Nacional. A confirmação da oitiva do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, marcada para o dia 5 de fevereiro, coloca o Palácio do Buriti no centro de um escândalo que envolve bilhões de reais, relações obscuras e suspeitas de fraudes ligadas à previdência.
A convocação de Vorcaro é considerada peça-chave da investigação. Em depoimento, o banqueiro afirmou ter tratado pessoalmente com Ibaneis Rocha sobre a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Entre 2024 e 2025, o banco público do DF teria injetado mais de R$ 16 bilhões na instituição privada, operação que agora levanta sérias dúvidas sobre sua motivação, legalidade e impactos nos cofres públicos.
Diante da gravidade das revelações, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolou requerimento para convocar Ibaneis Rocha à CPMI do INSS. Para o parlamentar, não há como dissociar a atuação do governador das investigações que apontam o Banco Master como peça central em um esquema de fraudes envolvendo empréstimos consignados e a aplicação de recursos vinculados à previdência social.
A iniciativa rompe, na prática, a blindagem política que até então protegia o governador do Distrito Federal. O simples avanço das investigações já impõe um desgaste profundo à imagem de Ibaneis, que passa a governar sob permanente suspeita e vigilância pública.
Embora decisões judiciais recentes tenham permitido que alguns convocados evitem comparecer às oitivas, a CPMI sinaliza que não pretende recuar. O colegiado demonstra disposição para tensionar os limites institucionais e avançar sobre figuras centrais do poder político, ampliando o isolamento de Ibaneis Rocha.
Com a retomada dos trabalhos da CPMI, o governador entra em um período crítico. Depoimentos, contradições e novos indícios podem acelerar sua convocação e agravar a crise política no Distrito Federal. Fevereiro se desenha, assim, como um mês decisivo — não apenas para a investigação, mas para a própria sobrevivência política de Ibaneis Rocha.


