O deputado distrital Fábio Felix (PSOL) lançou em seu site um abaixo-assinado pela abertura imediata da CPI do Banco Master e do BRB. A petição, que já está no ar, ultrapassou 12.154 assinaturas, mas a meta estabelecida é alcançar 20 mil apoiamentos, ampliando a pressão popular por uma investigação profunda sobre a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
A mobilização ocorre em meio a um cenário de graves suspeitas envolvendo a operação. Para o parlamentar, defender o BRB é defender o patrimônio público do Distrito Federal, razão pela qual ele convoca a população a participar ativamente do movimento. “Assine e ajude a defender o BRB e o patrimônio público do DF”, destaca o chamado do abaixo-assinado.
Desde o início, a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB nunca se limitou a uma simples operação financeira. O processo revelou a atuação de um eixo político-financeiro poderoso, articulado em torno do governador Ibaneis Rocha e de figuras nacionais do centrão ligadas ao controlador do Master, Daniel Vorcaro.
Mesmo diante de alertas técnicos, críticas relacionadas à falta de transparência e da negativa do Banco Central, o governador pressionou a Câmara Legislativa do DF para aprovar, em regime de urgência, uma lei sob medida que autorizasse a operação. Parlamentares e setores da sociedade civil alertaram para os riscos, apontando que o Banco Master acumulava práticas financeiras temerárias e ativos de alto risco.
Ainda assim, o governo optou por atropelar o debate público. Em tempo recorde, deputados alinhados ao Palácio do Buriti aprovaram a Lei Distrital nº 7.739/2025, abrindo caminho para um negócio bilionário que poderia colocar em risco o principal banco público do Distrito Federal.
A insistência do governo continuou mesmo após o veto do Banco Central à compra direta. A direção do BRB passou então a mirar as carteiras de crédito consignado do Banco Master, numa tentativa de viabilizar por outra via aquilo que havia sido barrado pela autoridade reguladora. Posteriormente, investigações da Polícia Federal revelaram que justamente esse produto está no centro das fraudes bilionárias apuradas pela Operação Compliance Zero.
A operação policial apontou indícios de crimes graves contra o Sistema Financeiro Nacional. O dono do Banco Master foi preso, o presidente do BRB afastado por determinação da Justiça Federal, e novos elementos passaram a conectar as irregularidades ao processo conduzido pelo governo do DF para tentar incorporar o Master ao BRB.
Diante dos fatos, cresce a pressão por esclarecimentos. Para os defensores da CPI, não há mais espaço para ambiguidades: a tentativa de compra precisa ser investigada com rigor; a sociedade tem o direito de saber por que o governador insistiu em uma operação hoje associada a fraudes federais; e o BRB precisa ser protegido contra captura política e interesses privados escusos.
É nesse contexto que o pedido de instalação da CPI do Banco Master e do BRB ganha força. A investigação é considerada essencial para proteger o patrimônio público, garantir transparência e restabelecer a confiança na gestão do banco público do DF.
O BRB é do povo do Distrito Federal — e não de grupos políticos ou financeiros.
Assinar o abaixo-assinado é, segundo os organizadores, um passo decisivo para fortalecer essa mobilização.

