Após anos de abandono do transporte público e da malha viária do Distrito Federal, o GDF passou a intensificar anúncios de grandes obras que, na avaliação de analistas políticos e da própria população, não passam de promessas com forte viés eleitoral. São projetos lançados com pompa em eventos oficiais, mas que, na prática, seguem restritos ao papel, numa tentativa de estancar o desgaste político acumulado desde o fim de 2025.
O caso mais recente é o anúncio do VLT entre Taguatinga e Ceilândia. Divulgado em 16 de janeiro de 2026, o projeto prevê apenas a contratação de estudos de viabilidade e anteprojetos de engenharia para um traçado de 15,8 km, ao custo de R$ 7,2 milhões. Não há obras, cronograma de execução nem garantia de recursos para tirar o sistema do papel.
Autorizada pela governadora em exercício, Celina Leão, a licitação ocorre às vésperas do ano eleitoral e reforça críticas de que o governo aposta mais em anúncios do que em entregas. Especialistas lembram que o DF acumula um histórico de projetos de mobilidade amplamente divulgados e posteriormente engavetados após a fase de estudos.
Apesar do discurso otimista, a população segue desconfiada. Em grupos de WhatsApp, o anúncio do VLT é comparado ao “Primeiro Hospital de São Sebastião”, lançado em 2023 com grande divulgação e que, até hoje, não teve sequer ordem de serviço emitida. Para muitos moradores, o VLT corre o risco de se tornar mais um símbolo de promessas recicladas e marketing institucional em ano pré-eleitoral.

