Poucos governadores imprimiram uma marca tão visível e duradoura na infraestrutura e no planejamento urbano do Distrito Federal quanto José Roberto Arruda. Seu governo ficou caracterizado por grandes projetos estruturantes, planejamento de longo prazo e investimentos concretos, sobretudo na área de mobilidade urbana — um dos gargalos históricos da capital.
Em contraste, as gestões de Ibaneis Rocha, tendo Celina Leão como vice-governadora e figura central do atual grupo político, têm sido marcadas por um modelo mais reativo, fragmentado e com baixa entrega de obras estruturais, especialmente no transporte público.
Mobilidade Urbana: Planejamento x Improvisação
Durante o governo Arruda, a mobilidade urbana foi tratada como política estratégica de Estado. Em fevereiro de 2009, o GDF fechou um financiamento de R$ 260 milhões junto ao BNDES para a aquisição de 12 novos trens para o Metrô do DF, com projeção de atendimento de até 300 mil passageiros por dia. A iniciativa ia além do transporte: gerava empregos, fortalecia a economia local e antecipava o crescimento da demanda.
Já nas gestões Ibaneis e Celina, o metrô segue como um sistema subutilizado e com expansão mínima, sem grandes aquisições de composições, sem ampliação relevante de linhas e com constantes queixas de superlotação e falhas operacionais. O discurso de modernização não se traduziu em entregas estruturais.
VLT: Visão de Futuro Abandonada
Outro símbolo da ousadia administrativa de Arruda foi a defesa firme do VLT de Brasília. O projeto, moderno e sustentável, previa integração urbana, menor impacto ambiental e melhoria significativa no deslocamento diário. Arruda foi além do discurso e viabilizou um acordo internacional com o Governo da França, garantindo 140 milhões de euros, além de recursos do GDF e financiamento do BNDES.
Apesar de todo o arranjo financeiro estruturado, o projeto foi interrompido em 2011 por decisão judicial, e nunca mais foi retomado de forma consistente. Nas gestões Ibaneis/Celina, o VLT tornou-se apenas uma lembrança ou promessa ocasional, sem planejamento técnico, cronograma ou vontade política clara de retomada.
Infraestrutura Logística: Entregas Concretas x Estagnação
A inauguração da Nova Rodoviária Interestadual de Brasília, em julho de 2010, é outro marco do governo Arruda. Localizada estrategicamente na EPIA, integrada ao metrô, a estrutura passou a atender cerca de 140 mil passageiros por mês, reduzindo congestionamentos e melhorando a logística urbana e metropolitana.
Desde então, não houve entrega de obra logística de impacto semelhante. As gestões seguintes se limitaram a manutenções pontuais, enquanto problemas estruturais de integração entre transporte urbano, metropolitano e interestadual persistem.
Dois Estilos, Dois Legados
O contraste entre os períodos é evidente. Arruda governou com planejamento, projetos estruturantes e visão de longo prazo, apostando em soluções que colocariam Brasília em um patamar de cidade moderna e integrada. Já o governo Ibaneis, com Celina Leão como peça-chave, é frequentemente associado a ações pontuais, ausência de grandes obras e dificuldades em deixar um legado estruturante, especialmente em áreas críticas como mobilidade, urbanismo e planejamento.
Passados os anos, cresce a percepção de que o Distrito Federal estagnou em setores que avançaram de forma consistente durante o governo Arruda. O comparativo reforça o debate sobre a necessidade de lideranças com visão estratégica, coragem administrativa e compromisso com projetos estruturais, capazes de enfrentar os desafios históricos de Brasília — algo cada vez mais ausente no atual modelo de gestão.

