Movimentos culturais acusam gestão de desmantelar iniciativas comunitárias, favorecer projetos com interesses políticos e ignorar demandas populares
O cenário cultural nas cidades do Distrito Federal vive um processo de desmonte silencioso, mas devastador. Artistas, produtores e representantes de coletivos culturais denunciam que a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF tem agido com inércia, protecionismo e falta de transparência, desmontando iniciativas de base comunitária e ignorando demandas legítimas da periferia cultural.
“O que estamos vendo é uma ‘descultura’, não uma política de fomento. Projetos pequenos, com impacto direto nas comunidades, são sistematicamente ignorados, enquanto outros, com apelo político ou ligações com grupos privilegiados, tramitam com rapidez assustadora”, afirma um produtor cultural do Gama que prefere não se identificar por medo de represálias.
As críticas à atual gestão da Secretaria são duras. Entre as principais denúncias estão critérios opacos para análise de projetos, atrasos intencionais na tramitação de propostas e perseguições veladas a grupos não alinhados politicamente. “Eles começaram a limitar a análise a apenas um projeto por Organização da Sociedade Civil (OSC) e dois por parlamentar. A desculpa é otimizar o tempo, mas no fundo é uma manobra para garantir espaço só para quem realmente interessa”, aponta uma artista plástica de Planaltina.

A alegação da Secretaria para os sucessivos atrasos e recusas é a falta de pessoal técnico para a demanda. No entanto, representantes do setor cultural contestam: “É curioso que falte equipe para avaliar nossos projetos, mas sempre sobra tempo e estrutura quando o projeto tem padrinho político”, critica um gestor cultural de Taguatinga.
Outro ponto recorrente nas denúncias é a fiscalização desigual: prestação de contas rigorosa para alguns, vista grossa para outros. “A cobrança é seletiva. Se o projeto é do grupo ‘certo’, tudo flui. Se não for, vão achar um motivo para travar ou reprovar”, relata um produtor independente.
A indignação só cresce com o passar dos meses. Movimentos culturais, que historicamente sustentam a arte e a cidadania nas periferias do DF, sentem-se abandonados por uma pasta que deveria promover inclusão, diversidade e diálogo.
“Essa gestão é um paradoxo: enquanto proclama apoio à cultura, age nos bastidores para silenciar a produção popular. Quando vierem pedir apoio em época de eleição, a resposta será outra. A fatura vai chegar”, conclui um coletivo de artistas urbanos.
A cultura do DF clama por respeito. E, ao que tudo indica, essa cobrança será feita com força nas urnas — e nas ruas.

